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Lixo eletrônico e lablabs

Tenho dois posts atrasados para escrever (um sobre o Congresso de Community Informatics, que fui no começo de novembro, e outro sobre o PDF Europe), mas hoje termina o prazo pra participar do #Mutsaz e decidi escrever sobre algumas coisas sobre as quais venho pensando, embalada pelas conclusões do nosso GT no Congresso da CiberSociedade

A reflexão, efetivamente, linka diversos assuntos sobre os quais tenho falado ultimamente: inclusão digital, resíduos tecnológicos e lablabs. A idéia do lablab surgiu num papo recortado com o efeefe no Gtalk outro dia, porque ele tem escrito  sobre Medialabs (aqui e aqui), e eu falei que sou fascinada pelo Citilab de Cornellà e que acho uma das iniciativas mais interessantes que estão rolando por aqui. E também porque faz um tempo estava rolando um papo sobre Fablabs... que tem em comum essa idéia de "lab" e que no fundo são laboratórios de laboratórios: projetos experimentais de projetos experimentais. E tudo bem que nem todas as iniciativas de lablabs são interessantes, que o pessoal às vezes se empolga demais com a alta tecnologia e vira uma coisa até fetichista, no caminho contrário do que estamos pensando, mas por outro lado, eu acho o conceito de laboratório muito interessante como espaço de invenção, construção de imaginários e desenvolvimento de fórmulas e habilidades...

Imagem retirada da WikipediaGosto da imagem do cientista louco, rodeado por vidrinhos (eu sei que a maioria do pessoal por aí prefere a imagem do professor Pardal, mas minha mãe é química e minha referência é mais aquela dos tubinhos e das substâncias que misturadas mudam de cor, evaporam, borbulham...) enfim, resumindo: um espaço em que se explora idéias e no qual você pode ter contato direto com a realidade das transformações (tão diferente das salas de aula...)

Daí que, por outro lado, temos esse problema da tecnologia: vejam só, ela quebra. Ela não funciona. Ela assusta! E, sejamos realistas, ela fica obsoleta... mas bem mais lentamente do que imaginamos. E é aqui que as coisas se cruzam: e se tivéssemos laboratórios que experimentassem com a tecnologia de uma maneira que contribuísse para que ela durasse mais? (Re-instalando sistemas operacionais, substituindo peças, trocando acessórios...) Ok, nada de novo, mas espera. E se esse trabalho fosse feito por aprendizes, que estão ao mesmo tempo se divertindo e aprendendo um ofício? Mas e se esse trabalho fosse feito gratuitamente por esses alunos, mas em computadores vendidos por preços muito baixos, "com garantia de reparo"? Deu pra sentir por onde estou indo?...

E tudo isso porque, temos várias questões pra resolver: a relação com a tecnologia e a apropriação são diferentes quando não tem hora de acabar, quando ela é sua. Porque precisamos solucionar a questão da sustentabilidade, então não dá pra ficar eternamente no custo zero/ganho zero. Porque ninguém fala, mas não adianta vender a tecnologia a preço de banana sem uma rede de suporte, e sim, porque o mundo precisa urgentemente que a gente pare de pensar em seja lá o que for, sem pensar AO MESMO TEMPO que fazemos parte de um sistema que não é infinito.

Comments

Estou tentando entrar em

Estou tentando entrar em contato com voces do lixoeletronico.org, queria entrevista-los pra Radio Unesp de Bauru! Por favor, entre em contato!

Olá, Mari, espero que tenha

Olá, Mari,

espero que tenha conseguido entrar em contato com o Felipe.

Abs,

Dani

desenvolvendo

Oi Dani,
olhando pra isso aqui:

Mas e se esse trabalho fosse feito gratuitamente por esses alunos, mas em computadores vendidos por preços muito baixos, "com garantia de reparo"? Deu pra sentir por onde estou indo?...

Acho que deu, então vou para os questionamentos para refletir.

De início um problema com a categoria "trabalho", então, reflexão livre:

Talvez uma prática desta natureza precisasse primeiro ser pensada desassociada das categorias "estudo", "trabalho" etc. Elas já trazem toda uma carga, não?

E aqui não falo de resignificação. O que estou entendendo que há construções nestas categorias que meio que pré-definem alguns caminhos, algumas práticas.
E se pudéssemos usar o artifício de eliminar essas categorias à priori?
Com o que ficaríamos?

Eliminando categorias

Orlando, gracias pelo comentário. :)

Eu não sou contra a eliminação ou a re-significação de categorias à priori, desde que esse questionamento leve a um ganho de análise. E, nesse sentido, não sei se entendo bem qual o problema da utilização dos termos "trabalho" e "estudo" dentro do modelo que propus.

Na verdade, relendo o post agora, vejo que ele ficou um pouco superficial e que precisa de uma complementação. Tenho a sensação de que minha proposta ficaria melhor num gráfico, então vou rabiscar aqui e volto pra postar. ;)

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