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nem tão ao mar, nem tão à terra

Carlos e Estraviz,

permitam-me, digamos, discordar de ambos. Ou concordar, dependendo do ponto de vista. :) 

De fato, telecentros e lan houses são coisas diferentes, assim como bibliotecas e livrarias. Entretanto, minha discussão aqui é: nosso objetivo é incentivar "a leitura", independente se ela é feita em um lugar ou no outro, não é verdade?

Por outro lado, a comparação é um pouco injusta com as lan houses, porque no fundo, elas também são pontos de acesso público à Internet. Ou seja, são (ou pelo menos poderiam ser), espaços comunitários (ver, por exemplo, Miller, D., & Slater, D. (2004)), onde as pessoas se encontram, compartilham recursos, conhecimento, e estabelece redes e relações sociais (atributos normalmente associados mais com as bibliotecas que com as livrarias). A grande questão, entretanto, que eu tentei enfatizar e que acho que tem a ver com o que o Estraviz colocou, é que nem o telecentro (e nem a lan house) farão inclusão digital se o foco não for em projetos que realmente tenham estratégias de como incluir as pessoas.

Eu não acho ruim o investimento em telecentros, claro, porque eu acho que incentivos para projetos de informática comunitária são sempre válidos. A discussão que tentei levantar foi que lan houses também têm um sentido de espaço comunitário, por um lado, e por outro, talvez sejam um formato mais sustentável de longo prazo que os telecentros. (No Brasil as bibliotecas nunca conseguiram se estabelecer muito bem, não é? E ainda assim, algumas livrarias também aprenderam a importância de serem um pouco bibliotecas).

Por isso acho importante chamar atenção para que os telecentros não se tornem competidores das lan houses (isso seria um grande tiro no pé, não é verdade?) e que, além disso, quando se pense em lan house, não tenhamos uma idéia pré-concebida de seus objetivo são opostos aos dos telecentros. Diferentes, mas não incompatíveis.

Como o Carlos colocou, talvez por uma velha tradição, a gente acabe associando lan house a jogos de azar, mas na verdade, existe muito mais potencial aí para ser explorado. E eu acho que o tom da matéria do estadão não ajuda na promoção de uma mudança dessa cultura, retratando os donos de lan houses como frios aproveiadores que não hesitam em fazer uma boquinha no dinheiro do governo. E no fundo, o que eu imagino é aquele senhor, aposentado, de meia idade, numa cidadezinha no meio do Pontal do Paranapanema, que comprou meia dúvida de computadores e fica batendo papo com os jovens quando eles estão no orkut... 

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