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Na defesa e no ataque das exportações de lixo eletrônico

Interessante colocar essas duas iniciativas em perspectiva: o vídeo que posto logo abaixo foi feito pela World Reuse, Repair and Recycling Association, dos Estados Unidos. Basicamente, o argumento deles é que muito do que é chamado de "lixo eletrônico" nos EUA, computadores obsoletos, são equipamentos ainda em bom estado e que podem ser bem utilizados em países em desenvolvimento, como África e América Latina (porque será que eles não falam em Índia e China?). Nesse contexto, faz sentido exportar sucata eletrônica para nós, já que existe um ganho real para quem vende e quem compra. Entretanto, o problema é que muita gente que faz essa exportação envia muita sucata que não pode ser utilizada também, que não serve para nada e que, mais importante, custa dinheiro para receber o tratamento final que deveria.

Segundo a Associação, o papel deles é fazer um trabalho de triagem e "limpeza" no equipamento descartado, enviando apenas equipamentos funcionando para os países em desenvolviment (segundo eles, entre 95% e 98% dos equipamentos que eles enviam, funciona. E o resto?):

Ok, ok, a iniciativa é interessante, foca na questão do reuso, mas o problema é (além do tom de superioridade irritante que a narração do vídeo tem) que todo esse lixo, depois de ter sua vida útil prolongada um pouco pela utilização em países do Sul, também terá que ser efetivamente descartado! E aí? Como fica essa questão?

Por outro lado, a Dell recentemente anunciou a suspensão do envio de lixo eletrônico para o Sul. É uma decisão pontual e não aponta para uma mudança no comportamento geral das empresas de tecnologia, mas o fato dela ter publicitado o assunto é um bom gancho para levantar a discussão. A WRRA diz que é um absurdo proibir a exportação desse lixo, que ainda pode ser útil para os países em desenvolvimento, e a destruição de todo esse material. A atitude da Dell é simbólica porque destaca o problema da exportação: ainda que ele possa ser usado por um tempo, quem vai se responsabilizar pelo descarte adequado, depois que nada disso for mais utilizável?

A solução ainda está em debate... Pra quem se interessa pelo tema, recomendo fortemente a série Ciclo do lixo eletrônico, escrita pela efeefe, e as discussões  do blog lixoeletronico.org em geral. 

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