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Inclusão digital, além dos telecentros

Lendo uma excelente (ainda que simplificada) reflexão do Ismael Peña sobre a dicotomia cybercafé X telecentro (no nosso caso, lan house X telecentro), aproveito para contribuir com a discussão, que acredito ser profundamente relevante neste momento de expansão da banda larga e diminuição dos custos de infra-estrutura de acesso à Internet.

Em resumo, o que o Isma diz é que, com a maior facilidade de acesso físico à Internet, fica a questão do que irá acontecer com esses lugares de acesso compartilhado, sejam eles com (lan houses) ou sem (telecentros) finalidade de lucro. Quando as pessoas puderem utilizar a Internet facilmente a partir de suas próprias casas, e aqueles que não o fizerem serão de fato os realmente muito pobres ou então que não vêem qualquer utilidade em acessar a rede, qual será o sentido desses espaços de acesso público?

Da mesma forma como ele coloca, e como muitas pesquisas já demonstraram, telecentros tendem a evoluir para serem lugares de encontro comunitário e aprendizagem, mais que simplesmente acesso físico. Em países em que ter computadores e banda larga ainda é muito caro para uma grande maioria da população, como por exemplo o Brasil, o telecentro (assim com a lan house) irremediavelmente funciona primariamente como um ponto de acesso, por mais que os diferentes projetos tenham propostas de expandir o uso e promover uma diferenciação dos serviços. Ainda assim, a principal motivação que leva os usuários até os postos é o fato de que podem utilizar os computadores livremente, de maneira gratuita.

A importância desse espaço como centro de aprendizado e desenvolvimento comunitário, entretanto, acaba ficando para um segundo plano, e os públicos que provavelmente necessitam de um suporte mais especializado para realizar o acesso, como por exemplo as pessoas idosas, não freqüentam tanto o telecentro quanto os jovens. De acordo com minha etnografia em Barcelona, lá ocorre o contrário: o público é principalmente mais velho, pessoas que têm acesso à Internet e ao computador porém não sabem utilizar essas tecnologias. Nessa linha, talvez a discussão da relevância dos telecentros e lan houses no Brasil ainda passe por uma grande transformação de objetivos antes de entrar no questionamento de seu sentido ou não no futuro. Ainda assim, o lançamento da banda larga popular coloca questões sobre o que realmente significa inclusão digital, e se disponibilizar o acesso físico já o suficiente, em termos de políticas públicas, para garantir o pleno acesso e cidadania na Sociedade da Informação e do Conhecimento. 

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